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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

FGV: escolaridade afasta jovem da construção civil

O aumento do nível de escolaridade tem afastado os jovens brasileiros do trabalho na construção civil. Eles agora preferem ocupações menos braçais e mais qualificadas, o que contribui fortemente para o chamado "apagão" de mão de obra no setor, que responde por 63% dos investimentos totais na economia. A conclusão é da pesquisa Trabalho, Educação e Juventude na Construção Civil, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), apresentada em São Paulo.

De acordo com o estudo, o porcentual de trabalhadores na construção civil na faixa etária de 15 a 29 anos caiu de 36,49% em 1996 para 29,24% em 2009. Já o tempo de escolaridade dos trabalhadores com idade entre 20 e 24 anos passou de 4,91 anos em 1996 para 8,06 em 2009. Para os de 20 a 25 anos, o índice foi de 4,89 para 7,54 anos no mesmo período. "A construção civil está cada vez mais se tornando um setor de meia idade", disse o coordenador do estudo, Marcelo Neri, da FGV. No setor, há predominância masculina. As mulheres não chegam a 3% da força de trabalho.

Segundo o estudo, os trabalhadores da construção civil ainda ganham abaixo dos demais setores: R$ 933 contra uma média de R$ 1.094. "Nosso diagnóstico é de que o jovem não está querendo trabalhar na construção civil. Logo, o setor vai ter de lhe pagar mais, qualificá-lo e atraí-lo com mais direitos trabalhistas", disse Neri. A pesquisa mostra que essa recuperação salarial já vem acontecendo. O crescimento anual dos rendimentos individuais dos trabalhadores entre 2003 e 2009 foi maior na construção (3,2%) do que nos demais setores (2,58%).

Drawlio Joca/EXAME.com

 O coordenador do estudo destaca a valorização do salário do trabalhador com poucos anos de estudo, diferentemente, segundo ele, do que ocorre nos outros países que integram o Brics (Brasil, Rússia, India, China e África do Sul). "A taxa de crescimento da renda do trabalhador com menos escolaridade no Brasil é dez vezes maior que a de um trabalhador com alta escolaridade", disse. "Obviamente, para o trabalhador mais qualificado essa não é uma boa notícia, mas por outro lado mostra que a desigualdade no País está caindo. O Brasil não está repetindo a história do milagre econômico dos anos 70, quando cresceu muito mas a desigualdade aumentou."
 
Atração
Para atrair jovens para a construção civil, são apontados três fatores. Dois são de longo prazo: o desenvolvimento de tecnologias que reduzam a necessidade do trabalho braçal e o aumento dos salários determinado pela demanda do mercado. Mas o terceiro - os cursos de qualificação - pode ser uma solução rápida, necessária para o País se preparar para a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016.
"Uma solução é investir em trabalhadores com menos escolaridade e capacitá-los para que possam entrar no mercado da construção", afirmou Rafael Gioielli, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento do Instituto Votorantim, que apoiou o estudo da FGV. "Além disso, o governo tem visto a construção civil como uma possibilidade de primeiro emprego para uma série de pessoas que estão fora do mercado de trabalho."

fonte: Exame.com

 

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Além do bê-á-bá
 As empresas de construção civil passam a oferecer cursos profissionalizantes a seus empregados para 
enfrentar a carência de mão de obra

A cena de profissionais da construção civil sentados em bancos escolares, em pleno canteiro de obras, não pode mais ser considerada algo inusitado. Afinal, muitas construtoras oferecem esse benefício há tempos, como forma de alfabetizar os seus empregados. Mas ensinar as primeiras letras já não é mais suficiente. Com a carência de mão de obra do setor, a regra agora é oferecer cursos profissionalizantes. "Além da educação básica, passamos a ensinar tarefas de marcenaria, carpintaria e hidráulica", afirma Juan Quirós, presidente do grupo paulista Advento, que fatura mais de R$ 1 bilhão com quatro construtoras, entre elas a Serpal Engenharia, que realiza o projeto. Lançado há um ano e meio, o projeto, que está sendo desenvolvido em dez obras da Serpal, deverá treinar dois mil funcionários e consumir investimentos de R$ 2,8 milhões até junho de 2012.

A aposta em cursos profissionalizantes não se justifica apenas em razão da carência de mão de obra. Com o avanço tecnológico e novas técnicas de construção, há uma necessidade natural de que as equipes estejam preparadas para lidar com metodologias e equipamentos mais modernos utilizados nas construções.
Uma das empresas que saíram na frente na educação de seus profissionais foi a Racional Engenharia, construtora paulista especializada em grandes projetos privados, com faturamento de R$ 800 milhões no ano passado. Em 1987, a construtora percebeu que a maior parte dos funcionários de suas obras não conseguia escrever cartas para a família, fator que levava a certa desmotivação. Agora, a companhia passou a oferecer aulas de informática e cursos profissionalizantes para mestres-de-obras e de pedreiros. Em cinco anos, a Racional já investiu R$ 1 milhão nesses treinamentos. "Programas com visão mais abrangente, como o nosso, proporcionam o desenvolvimento do funcionário, pois não se limitam à educação básica", diz Newton Simões, presidente da Racional.

Os cursos profissionalizantes costumam formar carpinteiros, pedreiros, encanadores, pintores, além de outros especialistas em atividades necessárias nas obras. A construtora mineira MRV, com foco em construções, e receita líquida de R$ 3 bilhões em 2010, é outro exemplo. Mas em vez de levar os professores para o canteiro de obras, a companhia está construindo duas escolas, em Porto Alegre e Salvador, em parceria com as prefeituras locais. Sérgio Lavarini, diretor de relações institucionais da empresa, afirma que uma turma de 125 profissionais se formou em julho como azulejistas e eletricistas.

As construtoras, com o esforço de alfabetizar e formar seus profissionais, já estão colhendo resultados. De acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego, a participação de trabalhadores analfabetos na construção civil caiu 19% entre 2006 e 2010. 
No ano passado, eles representavam 0,99% de um contingente de 2,6 milhões de trabalhadores. 

Há quatro anos, eram 1,18%. "As ações da iniciativa privada são sem dúvida uma das principais causas para essa mudança", afirma José Carlos Martins, vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção. Mais confiantes, os empregados que concluem o ensino básico e o profissionalizante querem evoluir profissionalmente. Muitos se programam para dar o próximo passo e chegar ao nível superior.  "Temos um funcionário que se alfabetizou conosco e que agora quer fazer faculdade", diz Renata Moraes, gerente da Racional. "O filho dele se inspirou em seu exemplo e já está, inclusive, cursando engenharia." 

O levantamento do Ministério do Trabalho também mostra que a participação de pessoas com o ensino médio completo, no setor de construção civil, cresceu 38% nos últimos quatro anos. Os que cursaram ensino superior representam 9% da força de trabalho desse setor.
 
fonte: Revista IstoÉ Dinheiro - 18/09/2011

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Cofix investe na educação financeira de seus funcionários

Faz parte da missão da Cofix investir em pessoas e buscar o desenvolvimento sustentável, prova disto é a matéria publicada no Jornal Extra de ontem (18/09/11), que mostra uma das ações desenvolvidas pela área de Recursos Humanos, com foco em Responsabilidade Social: Palestras de Educação Orçamentária especialmente para seus funcionários (nos canteiros de obras).

Esta matéria foi feita na sala de treinamento da Cofix, em um dos canteiros que a empresa atua na Barra da Tijuca. Assista o vídeo abaixo e clique aqui para ler a matéria escrita pela jornalista Fabiana Paiva.